Diz-me como escreves


Cada um é para o que nasce e se assim não for inventamos uma vida em que assim seja, pelo que em vez de procurar um garanhão masculino, daqueles que desde os tempos pré-históricos aparentam bons genes para procriar, sempre busquei quem soubesses escrever e sem erros de ortografia para ficar à vontade sem ter de me preocupar em redigir ou falar de modo claro para todos.

Na adolescência foi fácil. Corriam uns inquéritos em papel, uma pergunta em cada página do caderninho e cada um ali mostrava até o que queria esconder. Mais tarde e ainda antes da globalização da net, fazer um jogo de grafologia entre jovens adultos à procura de acasalamento funcionava às mil maravilhas para perceber quem encaixava no perfil que eu queria.

A minha mãe teria preferido que eu escolhesses um jovem alto e bem apessoado, um daqueles exemplares de fazer salivar as papilas em qualquer feira de gado, sempre bem vestido como se fosse filho de um alfaiate mas sempre a desiludi ao optar por jovens despidos que me permitissem fazer aturado trabalho de campo em busca da humanidade perdida.

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