Hi Yo Silver



Aquele chapéu de cowboy acima do torso descoberto, tal e qual o Brad Pitt no Thelma e Louise, com uma mão pousada na fivela do cinto era por demais electrizante para só me apetecer amarinhar, não pelas paredes, mas  mesmo pelo espécimen em causa.

Vai daí que avancei para a fivela e olhos nos olhos, abri-a sem obstrução nenhuma. Abri o fecho éclair com muito cuidadinho porque tal como supunha não havia nada mais a proteger a cobra ali guardada. Apeteceu-me assobiar embora tenha antes metido ambas as mãos pelas calças abertas já que é sabido que é uma forma mais eficaz de endurecer bichos sem coluna vertebral. E assim amassei muito bem tudo quanto convém para fazer a cobra levantar e baixei-lhe as calças de ganga para ganhar para a minha boca um melhor acesso. E confidencio-vos que tanto ele como o seu animal de estimação estavam de pé como as árvores, enquanto eu me segurava com ambos os joelhos no chão e as mãos a escalar.

Um pouco depois, quando senti que algo podia tombar e ele estaria quase a gritar Hi Yo Silver, empunhei o meu melhor sorriso, deitei a língua de fora e disse-lhe Faz de mim a tua dodot!

Preta, branca ou vermelha?




Claro que visto as meias de liga e a lingerie para ti. Preta, branca ou vermelha que as roxas e as rosas são as minhas para o meu quotidiano confortável. Ou porque raio haveria de vestir umas cuecas com um fio ali a esfregar-me o cu em cada passo ou as outras rendadas com uma abertura enorme no sítio exacto do meu sexo e do meu cu senão fosse para dar mais ênfase ao abanar do meu rabo à frente dos teus olhos?...

Bem sei que há os sôfregos que não param um segundo para ver nada como se estivessem sempre à beira do orgasmo eminente mas, uma das vantagens das rugas é distinguir os ejaculadores precoces por insistirem mais no toque com as mãos do que no contacto do olhar como se nos abrissem a porta e nos cedessem passagem apenas para nos galar o traseiro.

E claro que precisas de saber que o faço e porquê já que contar-te isto é parte da minha excitação, é o espetar dos meus mamilos como se fosse a tua língua a contorná-los e as tuas mãos a espraiarem-se pelo meu baixo ventre porque o mais poderoso afrodisíaco feminino é a intimidade.

Síndroma de Gabriela



O Jorge Amado não tem culpa nenhuma mas palavra que parece que tenho um íman que só atrai homens com síndroma de Gabriela que nasceram assim, sempre foram assim e vão ser sempre assim, Senhor Doutor.

O último alegava que tinha nascido com um umbigo tal que os outros só tinham de lhe desculpar todas as desatenções e desamor que ele tinha para com as todas as pessoas porque, imagine,  nunca estivera acostumado de outra forma como se a sua condição de bebé chorão fosse eterna e cada pessoa que com ele se cruzasse fosse obrigada a ser a reencarnação da sua querida mãezinha. Lembrou-me logo um outro que assumia padecer de desamor congénito pelos outros e de modo muito cristão afastava-se de toda a gente, mesmo contra a vontade dos envolvidos, para a seu ver não magoar ninguém.

É que isto é mais simples que a clara do ovo e a Gabriela do Jorge Amado porque eu não quero mudar ninguém quanto mais não seja pelo senso comum básico de que ninguém muda outra pessoa mas apenas esta por si própria, mas Senhor Doutor eu quero que os umbiguistas vão todos para o raio que os parta enquanto eu levanto ambos os dedos médios das minhas mãos.


[Imagem: René Magritte, Le viol , 1934, óleo sobre tela]

Era o Tinder




Era um palminho de cara que qualquer gaja ficava logo a babar tal era o seu ar de príncipe e bem sabe que isso é que importa no Tinder, Senhor Doutor, é visualizar e toca a despachar.

A esta distância creio que talvez as imagens não estivessem nítidas ou então eu já estivesse toldada pelo Jack Daniels que nem calculei bem o tamanho, que é uma coisa que não conta mas vamos lá ver que isso só é verdade dentro de determinados parâmetros e ninguém está à espera que seja igual ao tamanho do meu polegar.

Ele era um homem alto como a torre do Big Ben e veio todo artilhado com óculos de realidade virtual que valha a verdade passavam filmes bons com gajos bons no género tudo ao molho e fé em Deus que sempre é mais excitante por ser menos real na nossa prática quotidiana e só me lembro de ver  gajos a cumprir a função de entrar por uma gaja adentro com a língua ou com os dedos ou com a pila até ela estremecer mesmo porque estava a ter um orgasmo. E como este príncipe do artifício tinha língua e dedos foi virtualmente aceitável e nem pensei em naturezas mortas.

Nadegal