A lógica

Comoveu-me ver as homenagens à equipa campeã europeia de Futsal. 

Tocou-me o trabalhar por objectivos, o trabalho de equipa. Antes do andebol, do Liceu e da Universidade me obrigarem ao trabalho de equipa, já jogara essa estratégia em casa. Tenho saudades da equipa a definir as metas e a concretizar os objectivos. 

E assim já tem lógica que tenham fracassado todas as relações em que me meti onde faltou o trabalho de equipa.


Insuflável



Os ditos eram mais que muitos e trocavam-se nos corredores durante os intervalos ou nas mesas do bar. Então já experimentaste o colchão?... E o melhor é que é insuflável, a frase que provocava a cúmplice gargalhada geral.
Mantendo a tradição ancestral de Letras as mulheres gracejavam a propósito do individuo que a troco de umas anotações das aulas, de um sorriso ou de um simples bora lá, dava o corpo ao manifesto para estudos mais aprofundados de anatomia, investigações detalhadas sobre as erupções vulcânicas masculinas ou aplicação prática do prazer orgásmico como potenciador do desenvolvimento das capacidades cognitivas.
Tinha a enorme vantagem de não ser território virgem e ninguém ir lá ao engano já que qualquer colega podia fornecer antecipadamente todos os pormenores para banir qualquer espécie de insegurança, incluindo um mapa das distâncias do pescoço ao umbigo e deste ao insuflável, a descrição da respectiva curva de nível, o gráfico de frequências e até um glossário para interpretar o significado dos sons guturais que ele emitia durante a actuação.
Já a minha avozinha dizia que quem boa cama faz, nela se deitará e cada vez me convenço mais que era um dito acertado que o homem hoje é membro da direcção de uma empresa pública.

Ponto de marmelo



O marmelo tinha uns trinta anos mas vociferava para o comensal da frente, segurança de profissão como ele, que a honra é que é o ponto. Contava em decibéis largos que tinha sido abandonado pela mulher com quem vivia há bastantes meses e infernizava-o ela ter feito questão de lhe comunicar a coabitação com outro, logo a ele, que era como o seu paizinho que nunca traíra a sua mãe, que ele bem o sabia, embora já ela, coisa que ele nunca lhe perdoaria, se tivesse metido na cama com outro homem que não o seu paizinho, mesmo tendo ela pedido desculpa e recordado que o pai lhe batia como ele vira tantas vezes e que não o podia abandonar a ele e à irmã mas que uma mulher não era de ferro e tinha de ter alguma alegria na vida.
O casaco do uniforme militarizado estava nas costas da cadeira e ele cofiava o cabelinho de um milímetro de altura enquanto desfiava o rosário de lhe ter tocado a ele uma coisa daquelas, a ele que nunca gostara de pretos desde os tempos da escola da Damaia e que teve logo de ir meter-se com uma brasileira. Branca claro, mas brasileira que só porque encontra um gajo mais giro o deixa logo apeado, a ele um defensor da monogamia, quanto mais não seja por causa das doenças.
Levou a mão à face para conferir a pele escanhoada e virou-se ostensivamente para a minha bica lhe ler o futuro, quiçá nas borras do café e lá tive de lhe responder que o futuro só podia ser um penso higiénico, branquinho e absorvente mas tão cheio de coisas putrefactas e fétidas que o mais ecológico seria reciclá-lo.

Diz-me como escreves


Cada um é para o que nasce e se assim não for inventamos uma vida em que assim seja, pelo que em vez de procurar um garanhão masculino, daqueles que desde os tempos pré-históricos aparentam bons genes para procriar, sempre busquei quem soubesses escrever e sem erros de ortografia para ficar à vontade sem ter de me preocupar em redigir ou falar de modo claro para todos.

Na adolescência foi fácil. Corriam uns inquéritos em papel, uma pergunta em cada página do caderninho e cada um ali mostrava até o que queria esconder. Mais tarde e ainda antes da globalização da net, fazer um jogo de grafologia entre jovens adultos à procura de acasalamento funcionava às mil maravilhas para perceber quem encaixava no perfil que eu queria.

A minha mãe teria preferido que eu escolhesses um jovem alto e bem apessoado, um daqueles exemplares de fazer salivar as papilas em qualquer feira de gado, sempre bem vestido como se fosse filho de um alfaiate mas sempre a desiludi ao optar por jovens despidos que me permitissem fazer aturado trabalho de campo em busca da humanidade perdida.

Hi Yo Silver



Aquele chapéu de cowboy acima do torso descoberto, tal e qual o Brad Pitt no Thelma e Louise, com uma mão pousada na fivela do cinto era por demais electrizante para só me apetecer amarinhar, não pelas paredes, mas  mesmo pelo espécimen em causa.

Vai daí que avancei para a fivela e olhos nos olhos, abri-a sem obstrução nenhuma. Abri o fecho éclair com muito cuidadinho porque tal como supunha não havia nada mais a proteger a cobra ali guardada. Apeteceu-me assobiar embora tenha antes metido ambas as mãos pelas calças abertas já que é sabido que é uma forma mais eficaz de endurecer bichos sem coluna vertebral. E assim amassei muito bem tudo quanto convém para fazer a cobra levantar e baixei-lhe as calças de ganga para ganhar para a minha boca um melhor acesso. E confidencio-vos que tanto ele como o seu animal de estimação estavam de pé como as árvores, enquanto eu me segurava com ambos os joelhos no chão e as mãos a escalar.

Um pouco depois, quando senti que algo podia tombar e ele estaria quase a gritar Hi Yo Silver, empunhei o meu melhor sorriso, deitei a língua de fora e disse-lhe Faz de mim a tua dodot!

Preta, branca ou vermelha?




Claro que visto as meias de liga e a lingerie para ti. Preta, branca ou vermelha que as roxas e as rosas são as minhas para o meu quotidiano confortável. Ou porque raio haveria de vestir umas cuecas com um fio ali a esfregar-me o cu em cada passo ou as outras rendadas com uma abertura enorme no sítio exacto do meu sexo e do meu cu senão fosse para dar mais ênfase ao abanar do meu rabo à frente dos teus olhos?...

Bem sei que há os sôfregos que não param um segundo para ver nada como se estivessem sempre à beira do orgasmo eminente mas, uma das vantagens das rugas é distinguir os ejaculadores precoces por insistirem mais no toque com as mãos do que no contacto do olhar como se nos abrissem a porta e nos cedessem passagem apenas para nos galar o traseiro.

E claro que precisas de saber que o faço e porquê já que contar-te isto é parte da minha excitação, é o espetar dos meus mamilos como se fosse a tua língua a contorná-los e as tuas mãos a espraiarem-se pelo meu baixo ventre porque o mais poderoso afrodisíaco feminino é a intimidade.